sábado, 11 de abril de 2009

Living in Canada

Aí, bateu a vontade, a cá estou escrevendo o post que todo mundo aguardava, que eu respondo todo santo dia no MSN e no SKYPE pra quem pergunta.

Como é a vida aqui, afinal? (E, sério, depois que eu chorei de rir com um amigo perguntando "Mas porra, tu tá naquelas paradas Amish da vida?", fiquei com mais vontade de escrever).

Como diria nosso amigo Jack, vamos por partes, e a melhor parte pra começar é, invariavelmente, o começo.

Acordemos para o café da manhã. No inverno ele começa as 8, fora dele a hora em que nós saímos do ato de ver o sol nascer (o jeito mais fácil, barato, prático e rápido de ficar com energia o resto do dia, acreditem). O que nos levaria mais ou menos a umas 8:15 amanhã.

Café da manhã no templo é um evento de proporções que não podem ser desprezadas. Começa com um ou dois minutos de meditação, e depois algumas poucas palavras sobre determinado assunto (os cosmos são bastantes frequentes nessa hora), ditas pela sister Natacha, que também fala as páginas das orações do dia (tem um livrinho embaixo de cada mesa no salão).

Depois, música! Maestro Gilles fala o nome da música, dá o tom com ajuda do diapasão e dá-lhe coral. Três ou duas músicas todo mundo junto, hora do coral das irmãs, regido pela Sophie, seguido pelo coral dos irmãos, regido pelo Alain. Ambos cantam uma música.

Depois, a leitura do pensamento do dia, em todas as línguas que os presentes no salão do templo possam falar. O que nos leva, em dias "normais", a francês, inglês, alemão, russo (!), espanhol, português (no caso, eu costumo falar, quando não é a Bia) e grego. Depois, as duas orações da refeição, e dá-lhe café!

(Aqui tem uma pasta de amendoin bruta DEMAAAAIS, e na mesa onde eu costumo sentar é a única em que comem, e todo mundo come. Diz o Richard que é porque "os outros ainda não descobriram")

Beleza, fim do café, hora do pós. Costumeiramente, vemos vídeos de conferências do Mestre. Quando não, ouvimos alguma música (já ví a abertura da Flauta Mágica, o Ave Verum, dentre outras coisas interessantes). No final, oração e levantamos da mesa.

No andar debaixo, todos se reúnem numa roda e dão os recados (do tipo "quatro candidatos pra lavarem os pratos", "precisamos de dinheiro pra pagar a internet, alguma contribuição?", "hoje tem a colheita das cerejas, precisamos de três pessoas"). Depois, cada um sai pros seus afazeres.

Passados os afazeres, 12:30 é hora do almoço. O contrário do café, onde é quase uma cerimônia, o almoço é bem "cada um por si", pra evitar de todo mundo que tá trabalhando (alguns bem longe) voltarem ao templo para a refeição. É preferível comer onde e como dá. O que nos leva a comer de pé na cozinha (pra desespero de uns e outros lá em casa).

Afazeres da tarde, a noite hora da janta. Solene como o café da manhã, mas sem tantas cerimônias. Reza-se, come-se e reza-se denovo. Fim de papo.

Daí já é o fim do dia, a não ser que exista algo de interessante a se fazer ainda como, por exemplo, a gravação do CD com todas as músicas do mestre (inédito), no salão do templo ainda.

E que "afazeres" seriam esses, dos quais eu tanto me refiro no texto?

Bom, eu tenho as minhas aulas: segunda, canto (teoria) e francês. Terça, inglês, francês e mitologia. Quarta é o meu dia livre :D. Quinta, inglês e canto (teoria). Sexta, teoria musical e canto (músicas). Por último, sábado temos Paneuritmia (que não tem a ver com a Euritmia dita por Steiner). Isso afora os trabalhos, que no meu caso incluem fazer o café, separar maçãs para o suco, fazer o suco propiamente dito, arrumar a sala pra gravação do coral e tirar/colocar a mesa pro jantar.

Resumidamente é isso. Perguntas? Poste um comentário!

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