...ou pelo menos se achar no comando.
Tudo bem, isso seria plenamente normal em uma escola waldorf, onde o mais zé cu dos professores se acha o diretor geral da porra toda, onde manda e desmanda e tem altos poderes que capaz de nem em casa ter.
Mas aqui, cacete? Com uma iniciada sendo a cabeça do lugar, e o cara que dizem ser a reencarnação do Mozart como diretor geral? Tem neguinho que viaja, sério...
O cômico é que é reincidente! Ou seja, neguinho, além de viajar seriamente, não se toca!
Mas, como diria nosso amigo Jack, vamos por partes:
Primeira conferência da sister Natacha que eu tive a brilhante idéia de anotar no computador, já que eu digito numa velocidade razoável e o conteúdo é sempre interessante. Anotar conferência é uma coisa normal, acontece que o povo anota a mão, evidente. Eu devo ser o único aqui que escreve em hieroglifos.
Gilles (diretor geral) estava na sala de traduções, que fica logo atrás da grande sala, arrumando alguma coisa de uns cabos lá (ia ter tradução pro francês, já que a conferência ia ser em inglês). Cheguei lá, bati a porta e fui convidado a entrar. Dae estava lá a Jasmin, conhecida problemática daqui (mais pra frente vocês vão entender).
Perguntei (na humildade, evidente) pro Gilles se eu podia usar o computador pra digitar a conferência, porque não gostava de escrever a mão, e achava o conteúdo muito interessante, etc...
Sem esperar a resposta, Jasmin se adianta com o clássico "non, non, non, isso vai ser...", mas é interrompida categoricamente por Gilles:
-Claro, só senta no fundo por causa do barulho.
-Mas Gilles, vai ficar digitando...
-Deixa ele Jasmin!
Ponto para Bernardo, meu ego ficou massageado aquele dia. A conferência foi legal pacas, quem sabe um dia eu posto aqui.
Beleza, caso um e vitória incontestável minha. A merda começa agora.
Aujourd'hui ("Hoje", em francês) foi dia de conferência denovo. E lá fui eu pedir um feedback pro Gilles:
-E ae, como foi da última vez o computador, barulhento?
-Hm, não, tranquilo.
-Posso usar denovo?
-Pode sim, vai lá.
Pego o PC aqui em casa, volto lá, monto a parafernalha toda, rio com os olhares escandalizados com a música do windows começando (ligando o pc antes da conferência começar, lógico), e preparo o terreno.
Antes da conferência propriamente dita, Seth (um figura que tem um quarto aqui, dentre outras coisas, é dono do O'Ryan) deu uma surra de pau mole nesse tipo de pessoa ao qual o meu post se refere, com um texto (em francês, ele que é americano teve as manhas de escrever em francês!) bem escrito pra cacete, explicando sobre como funciona a fraternidade, as hierarquias dos grandes mestres e como seria no futuro.
Sentiram a porrada, não tenho a menor dúvida. E, no final, quando fui cumprimentar ele, comentei:
-Belo tapa na cara ein? Bem escrito pra cacete.
-Hehe, obrigado, achou bom mesmo?
-Muito, teve gente que sentiu fundo a pancada.
-Acontece...
Ah, malandro esse Seth...
Voltando. Depois do texto dele, no meio dos aplausos, eu precisava redigir uma conclusão, e botei na cabeça que faria isso antes que a sister Natacha começasse a conferência dela.
O que fiz?
Liguei o turbo, simples.
Aquela velocidade que me é peculiar tem só um problema: é barulhenta pra cacete. Mas levando-se em consideração que não havia rigorosamente nada o que se ouvir na hora, liguei o dane-se e comecei a martelação.
Aí aquela história né. Tiveram uns que viravam pra trás e riam, e outros (outras na verdade) viravam, escandalizados: "Menos barulho!" "Para de digitar!", para baixo. Só falei que não tinha nada pra ser ouvido, e concluí o meu texto martelando mesmo assim.
Começou a conferência esperada da manhã. Eu bem que tentei no começo (com o turbo desligado, digitando com a mão colada no teclado e levantando o menos possível, fazendo o mínimo de barulho), mas depois ficou foda. Principalmente porque a conferência era em francês, e tinha um tempo ainda pra ter a tradução pro inglês na salinha, e depois a minha tradução na cabeça pro português. Como nesse caso não haviam os intervalos que a conferência em inglês tinha (eles eram ocupados pela tradutora resumindo um pouco o que havia sido dito), perdia um pedaço sempre que parava pra digitar.
Infelizmente parei a conferência no meio, e peguei mais uma ou duas frases perdidas que julguei interessantes. Nada mais.
Aí vem a merda amigo!
Beleza, fim da conferência, cumprimentei o Seth (diálogo acima citado), e fui ajudar a lavar os pratos (uns 70 hoje, salvo erro).
No caminho, a supracitada Jasmin me intercepta para uma conversa rápida.
-Você não pode digitar as conferências, faz muito barulho.
-Olha, o Gilles e a sister Natacha falaram que não tem problema.
-Claro que tem! Por que você não escreve a mão, como todo mundo?
-Porque eu não gosto?
-Imagina se 10 pessoas fizessem o mesmo que você!
-Aí é que tá, uma só pode fazer, se tiver um telão... (eu ia começar a falar das vantagens de rede, conferência com legenda, um poder digitar e passar o texto pra todo mundo mas fui interrompido)
-Olha Bernardo, eu faço a tradução toda a manhã pra você a quase um mês...
-...pelo qual eu sou grato...
-...e é assim que você me responde? Com raiva?
-Ué, mas eu não to com raiva (insira uma cara de confuso aqui).
-Tá sim, você tá com raiva por dentro. (vira as costas e vai embora).
Sabem a clássica cara de WTF?, que a pessoa costuma ficar sem reação? Pois é, mais ou menos o que aconteceu comigo.
Aí voltou o raciocínio aos poucos, botei as palavras no lugar, e fui procurar o Gilles. Denovo, ele tava na salinha de traduções.
-Gilles, quero te pedir um favor...
-Um favor?
-É, que você faça um anúncio público falando que eu, ou mais alguém se for o caso, só preciso prestar contas a você e a sister Natacha, a mais ninguém.
-Ué, como assim?
(contei a história)
-Ah, a gente dá um jeito pra não te escutarem...
-Mas Gilles, você disse que não incomoda!
-É, mas se incomoda ela, o que a gente pode fazer?
-Você sabe que isso é perseguição desde quando eu te perguntei a primeira vez, e você cortou ela.
-Pode até ser, mas e aí? O que a gente faz? Não adianta brigar com esse tipo de gente.
-É recorrente Gilles, ela faz a mesma coisa com o Seth (eu conto isso outra hora).
-Normal, ela faz isso com os que são de fora. Mas relaxa, a gente dá um jeito pra você continuar digitando.
Gilles fazendo o meio de campo. Como diretor geral, fez o trabalho dele.
Mesmo assim tava encucado, voltei pros meus pratos e encontrei o François no setor de secagem (pra vocês verem a organização do negócio). Dae fui conversar com ele.
-François, você achou muito incômodo me ouvir digitando hoje?
-Ah, não, incômodo não, tava tranquilo.
-Porque teve uma pessoa que reclamou.
-Uma pessoa alta assim? (ele é mais ou menos da minha altura, apontou um pouco pra cima da cintura dele e acertou a altura exata da Jasmin)
-Hoho, é sim.
-Relaxa, não esquenta a cabeça.
-Isso é normal? (queria confirmar o que já haviam me dito)
-É sim, sempre reclama.
-Ufa.
-Eu tenho o meu jeito de anotar... (e me mostrou o iTouch dele, com o teclado QWERTY na tela, que facilitava pra cacete, além de ser silencioso).
Beleza, isso me deixou mais tranquilo, e eu já notei o cerne do problema.
Daí relaxei e segui o meu dia. De tarde fui cortar o cabelo com o Pierre, e perguntei a mesma coisa:
-Pierre, te incomodou eu digitando a conferência hoje.
-Na verdade não.
Resultado do dia? Bernardo 4 x 1 Jasmin. E não para por aí, porque eu aposto o meu pâncreas que ela vai fazer de tudo pra dificultar a minha vida por aqui...
Ah sim, querem saber a idade? Julgam comportamento de adolescente, uns 15-18 anos?
Pra cima de 50, negada.
Uma vez xarope, sempre xarope...
Antes de acabar, perguntar não ofende: pessoal do 12 formado em 2008... Reconheceram ALGUÉM na história?
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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